Moenda
usina
mói a cana
o caldo
e o bagaço
usina
mói o braço
a carne
o osso
usina
mói o sangue
a fruta
e o caroço
tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam
o saldo e o lucro
Canavial
minha terra é aqui
onde barro e carne
misturam-se num só corpo
onde suor e sangue
transformam-se
em um só espírito
onde matar a sede
é não ter o líquido
onde matar a fome
é não comer o pão
onde o negror da pele
me transporta ao fogo
dos olhos de Maria
na primeira escravidão
Santa Cruz
como outra qualquer
vão moendo
sem adiantar gritar
que está doendo
porque o dono da usina
vai metendo...
até que entre os dentes da moenda
escorra o caldo da moagem
e só o dono da engrenagem
todo líquido vai bebendo
Novo Horizonte
um padre de saia preta
segue à risca
seus instintos
tendo o usineiro do lado:
dá hóstia para os famintos
e ventos pros flagelados
Baiafro
essa áfrica nos meus olhos
e navegar é minha sina
em toda febre todo fogo
que incendeia o continente
nos teus olhos de menina
eu sou um poeta
e nunca fui a china
mas vermelho é o meu sangue
desde que nasci
Sede dos Meus Olhos
carinhosamente
bebo os olhos teus
pra matar a sede
e aflição dos meus
toda água desse rio
beberia eternamente
pois a minha sede
não morre de repente:
é paixão
que não tem hora pra chegar
barco que vai embora
sem saber voltar
navegando mar inteiro
vale rios velas cais
pois a sede dos meus olhos
não se matam nunca mais
artur gomes
in suor & cio
http://tropicanalice.blogspot.com/
Ibirapitanga
-
taubaté tremembé
tamanduateí
tabatinga taguatinga
tracunhenhem
tucuruví
toda palavra nua me tesa
como o t da tua tigresa
matisse que nunca vi
artur Gomes
ht...
18 hours ago



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